A minha avó paterna, se ainda fosse viva, faria anos hoje. E apesar de ser a avó com quem tinha menos contacto era de longe a avó de quem eu gostava mais.
Era uma grande mulher. Sofria em silêncio para não preocupar ninguém. A doença acompanhou-a durante anos e anos e anos e nunca a ouvi queixar-se.
Tinha sempre umas bolachinhas de chocolate para nós e no Natal uma caixa de barras de chocolate da Kinder. Ainda hoje a minha mãe ou o meu marido me oferece esse chocolate porque nem parece Natal sem ele.
Acompanhei-a muito mais durante os últimos anos da sua vida e, principalmente, durante a fase terminal da sua doença. Definhou muito e estava presa à vida por muito pouco.
No dia anterior à sua partida estive com ela e pedi-lhe para ela não ter medo de partir... nós ficavamos bem e ela merecia encontrar a paz. Já tinha sofrido muito, mais do que devia.
E ela partiu, perdeu o medo e deixou-nos. Ficou em paz e nós também por saber que o sofrimento silencioso dela tinha terminado.
Claro que custou, claro que doeu, claro que chorei, mas no fundo sabia que a hora dela tinha chegado.
Seja como for, estejas onde estiveres... Parabéns avó!! Serás sempre a minha avó chata!